É possível mensurar pessoas?

 

Em vários momentos sofri questionamentos a respeito de mensuração de pessoas. Frases como “é impossível mensurar pessoas” e “não podemos colocar as pessoas em caixas” são colocações comuns. Qual a resposta para elas?

 

Primeiramente, depende do que se considera mensuração. Muitas pessoas cometem o erro de acreditar que quando algo é mensurado isso significa que se sabe exatamente o que e quanto é. Isso não é verdade.

 

Eu particularmente gosto do conceito do Douglas Hubbard, no seu livro “Como mensurar qualquer coisa”. Ele afirma que mensurar não é dizer exatamente quanto é, mas sim, reduzir o grau de incerteza.

 

Ou seja, entre não saber nada e ter uma noção, é melhor ter uma noção. Partindo deste conceito, sim, é possível mensurar pessoas. Nunca com 100% de certeza; na psicologia organizacional, qualquer coisa que explique mais que 30% da variância é muito. Mas também não precisa ser 0%.

 

Quanto a colocar pessoas em caixas, esse processo vai acontecer, querendo ou não. Decisões sobre pessoas são tomadas o tempo todo, e continuarão sendo tomadas. A diferença é que as pessoas utilizam a sua psicologia implícita, o que seriam espécies de “caixas internas”.

 

Mensuração de pessoas: o que é?
Mensuração de pessoas é um campo extremamente rico e fascinante! Podemos usar muitos dos conceitos presentes aí para trazer benefícios ao setor de RH.

 

As “caixas internas”

 

O que é psicologia implícita? Funciona da seguinte maneira: todos nós tivemos que aprender a lidar com o mundo e com as pessoas à nossa volta, como nossos pais, colegas, professores, etc.

 

Assim sendo, todas as pessoas possuem teorias em suas mentes sobre como as pessoas funcionam. E geralmente nem sabemos explicar isso muito bem, é implícito a nós mesmos. 

 

Qual o problema? A questão é que essa teoria é baseada em uma visão de uma pessoa sobre um ambiente limitado. Ou seja, nem sempre é muito válida. E, como é implícita, muitas vezes acreditamos que as outras pessoas enxergam o mesmo que nós, e isso não é verdade.

 

Em um estudo na área de recrutamento, constataram que 82% dos recrutadores da mesma empresa não concordavam no que era um bom candidato para ela. Isso não é um bom sinal para empresas que querem construir um capital humano forte.

 

Por isso, o ideal é “explicitar as caixas”. Assim é possível utilizar o que já foi estudado sobre o assunto, buscar ferramentas que te ajudem e estruturar o processo de mapeamento de pessoas.

 

Além disso, todos podem concordar (ou discordar, de maneira aberta), observar as mesmas coisas, elas podem ser testadas contra a realidade de forma objetiva e de fato o processo de construção de capital humano pode avançar. Além de ser muito mais justo para todos.

 

Portanto, a estruturação de processos seletivos e de mapeamento interno das pessoas é fundamental. Vai ser perfeito? Obviamente não. Porém, acreditar que o fato de não o fazer é nobre por “não colocar as pessoas em caixas” é uma falácia.

 

Claro, sempre devemos tomar cuidado em como interpretar informações. Como em qualquer processo de tomada de decisão, devemos dar o peso correto para as coisas corretas, e já vi muitas injustiças acontecerem também por acreditar-se cegamente em um método. Entretanto, não é o erro mais comum.

 

Por fim, se você trabalha na área de gestão de pessoas, saiba que, se você não criar um processo de mensuração, ele vai acontecer de qualquer maneira: só que talvez não da maneira que você gostaria. E o pior: você não vai nem saber.

 

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