The great reshuffle: o novo movimento do mercado de trabalho

 

O termo the great reshuffle pode ser traduzido como “a grande reorganização” e diz respeito as mudanças no mercado de trabalho após a great resignation, tema que já tratamos nesse post. 

A great resignation trouxe muitas mudanças para o mercado de trabalho, se antes os trabalhadores tinham receio de sair de seus empregos, o sentimento hoje mudou, pois eles compreendem que têm o poder de escolha em suas mãos. 

Ainda que o mundo não tenha se reerguido completamente após a pandemia e com a taxa de desemprego ainda em alta (no Brasil são 12 milhões de desempregados, segundo o IBGE), muitos trabalhadores saíram de seus empregos por livre escolha. 

As empresas notaram que para manter os seus funcionários ou realizar novas contratações, é necessário analisar as novas exigências do mercado de trabalho e se adaptarem a elas. 

E são essas adaptações que chamamos de great reshuffle. 

O que é a Great Reshuffle? 

Se a grande demissão foi o movimento em que muitas pessoas saíram de seus empregos, independente de outra oportunidade a vista ou não, durante a great reshuffle os funcionários planejam melhor seus próximos passos profissionais. 

Não é difícil abrir o Linkedin e notar declarações de funcionários que pediram demissão de seus empregos e optaram por uma empresa que prioriza o trabalho remoto, que tem faixa salarial condizente com o cargo e mercado, além de melhores benefícios. 

E tudo isso está relacionado com as descobertas após a great resignation, pois foi a partir dela que as pessoas passaram a desejar equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e agora cabe às empresas realizarem esses ajustes solicitados. 

As organizações que estão se atentando para a great reshuffle e incorporando novas tendências dentro de suas culturas, acabam por contratar os melhores talentos disponíveis no mercado, pois são eles que têm a decisão final. 

Segundo Anthony Klotz, professor da Texas A&M University, nos EUA e criador do termo “grande demissão”: 

“As pessoas estão encontrando empregos que lhes dão o salário certo, benefícios e acordos de trabalho a longo prazo”. 

 

Sendo assim, eles vão optar por fazer parte de uma empresa que está em conformidade com as tendências atuais, como por exemplo trabalho remoto, horários flexíveis, semanas de trabalho de quatro dias, remuneração entre outras. 

Estamos vivenciando um momento divisor de águas tanto para as empresas quanto para os trabalhadores, que encontraram na great reshuffle o apoio necessário para solicitarem melhores condições de trabalho, que era desejo de muitos há muito tempo. 

Como a great reshuffle mudou o mercado 

Basta uma rápida busca em sites de recolocação profissional, como o Linkedin, por exemplo, para que você verifique que as vagas de emprego estão se adaptando, mesmo que aos poucos, a esses novos moldes. 

Um dos elementos que comprova muito bem isso é o aumento de vagas para trabalhos remotos, ou híbridos, pois os millennials, principalmente, desejam flexibilidade tanto sobre local, quanto ao período em que eles poderão trabalhar. 

Benefícios como convênio médico, seguro de vida ou cartão alimentação, por exemplo, deixaram de ser atrativos nas vagas e outros benefícios e facilidades foram incorporadas na empresa. 

Uma pesquisa realizada pela Robert Half aponta algumas dessas tendências. Confira: 

  • Trabalho remoto ou híbrido 
  • Anywhere work (traduzinho: trabalhe de qualquer lugar) 
  • Folgas remuneradas 
  • Semana útil de quatro dias 
  • Licença parental remunerada 
  • Descontos para funcionários 
  • Horário flexível 
  • Plano de carreira 
  • Programa de Partnership
  • entre outros 

Um dos benefícios que passamos a encontrar com mais facilidade agora, além de descontos em academias ou Gympass, por exemplo, é a assistência psicológica, que se mostrou muito necessária e procurada pelas pessoas durante a pandemia. 

Enquanto essas reorganizações são feitas, o mercado passa por certa instabilidade até se acomodar por completo, afinal de contas, tudo ainda é muito novo para todos.  

As pessoas e empresas estão descobrindo o que funcionam para elas ao mesmo tempo em que testam essas novidades, ou seja, é um momento de transição para ambos. Segundo Klotz: 

“Podemos ver um mercado de trabalho instável à medida que as pessoas se deslocam e as empresas tentam fornecer soluções que extraiam o melhor de seus funcionários – e isso leva um tempo.” 

 

 

A great reshuffle também trouxe mudanças para as mulheres, pois como apontou Karin Kimbrough, Economista Chefe do Linkedin, nessa entrevista, muitas delas aproveitaram esse momento para realizarem novos acordos de trabalho ou voltarem para o mercado. 

Essas mulheres, que durante a pandemia se dividiram com a incerteza do mercado de trabalho para o público feminino, também estavam lidando com os filhos em tempo integral em casa e tarefas domésticas, viram na great reshuffle um momento para realizarem melhores escolhas profissionais. 

Kimbrough também apontou que são as mulheres que estão realizando mudanças mais rápidas que os homens em se tratando de suas carreiras, pois elas estão remodelando os termos de contratos de forma que melhor as satisfaçam. 

Além de todos os pontos positivos para todos os trabalhadores em geral que podemos apontar, esse avanço para o público feminino é um sinal muito favorável que a great reshuffle trouxe para o mercado. 

O que podemos esperar de todas essas mudanças, é que tragam melhorias significativas para os funcionários, pois os nossos hábitos profissionais já não eram mais saudáveis e estavam sendo os principais motivadores da síndrome de burnout, por exemplo. 

Já para as empresas, é possível analisar pelo lado positivo de que, os funcionários que permanecem em seus cargos ou que estão sendo contratados estão de acordo com as suas políticas internas. 

Ou seja, como são esses profissionais que detém o poder de escolha sobre qual o melhor ambiente profissional para estarem, as chances de ser uma trajetória de sucesso para ambos é grande.

Por Grazyele Lopes